sábado, 4 de março de 2023

Elocubrações 1

 Eu fui criada em um ambiente onde todas as pessoas ao redor acreditavam e ensinavam que cuidar do corpo era vaidade.

O certo seria estudar, ser uma pessoa inteligente e com um bom emprego. O que importa é o que você tem dentro, seu caráter e conhecimentos, isso e toda a religiosidade que vinha dentro do pacote do meu convívio familiar. Todo o resto seria apenas vaidade, "amostramento", superficial demais pra eles.

Minha intuição não concordava muito bem com isso, mas eu aceitava.

Fui crescendo e construí toda a minha vida na intenção de ser uma boa pessoa, uma ótima estudante, uma filha exemplar...Não podia falhar em nada disso. Sempre me cobrei demais. E das pessoas ao meu redor o que mais escutava era que "não fazia mais que minha obrigação". Então eu tentava fazer mais e melhor de tudo isso que eu achava que eram as únicas coisas possíveis de se fazer.

Durante o final da minha infância, adolescência e início da juventude eu tinha um script pronto do que precisava fazer: Estudar muito, entrar numa universidade pública, fazer um curso socialmente reconhecido (essa parte nunca aceitei tão bem e ao menos disso eu consegui passar longe), me formar, trabalhar, fazer mestrado, e depois um doutorado, o doutorado só se fosse boa o suficiente né, afinal nunca fiz mais que minha obrigação em nada. E aí seguir trabalhando e estudando até não aguentar mais.

Nunca me permiti sonhar...

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