quinta-feira, 21 de julho de 2011

O garoto,

Eu não quero mais passar em cada esquina a procura de um olhar
Um olhar perdido que possa se encontrar nos meus
para eu poder me encontrar
E daí o desencontro
para eu inevitavelmente me desconcertar.



Quero é um olhar definido,
para eu passar uns minutos olhando,
uma hora olhando, passar minha vida com aquele olhar.
Um para eu desvendar, me perder, me encontrar.
Quero o olhar que me faça não querer mais nada nem ninguém

Quero teu olhar, quero teu fascínio.
Eu te quero, mas nem sei quem és.
Não quero apenas alguém pra mim, é diferente.
Quero-te pra mim.

Então garoto, por favor, diga-me quem és
Diga-me onde estais que eu te busco.
Vou te trazer pra mim

Vou te contar todas as histórias que me surgiram
Essas, na tentativa de decifrar como seria nosso encontro,
Tentando dizer pra mim que você não é apenas sonho
Tentado me convencer que não és só fruto de minha carência excessiva.

E se for só isso?
Se você for apenas minha melhor forma de fugir do mundo ?

Sinto que não, mas temo que seja...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Textos alheios

Só numa multidão de amores


Eles não estavam trocando juras de amor, não andavam de mãos dadas, nem se chamavam por nomes infantis. Não tinha pieguice romântica ali. Mas foi a cena mais doce que eu vi: dois olhares se encontrando. Não só se encontrando: se confortando, se sabendo, se completando. Eu notei que eles eram algo além de amigos, que se desejavam e se protegiam, e foi só pela cumplicidade dos olhos, que deixavam de ser dois e se enlaçavam quatro.
Eu quis então ter um olhar pra mim. Não alguém pra chamar de meu, como diz o clichê, como grita a conveniência, mas um olhar que fosse meu por puro encaixe. Foi um pouco de inveja, talvez. Eu soube naquelas duas pessoas que elas não se sentiam sozinhas ou perdidas. Que mesmo depois de um dia cheio e chato, tinham uma certeza de carinho. E eu quis. Quis algo além da rotina do trabalho e gente fabricada com seus narizes perfeitos e cabelos penteados. Quis algo certo como o frio na barriga e a respiração travada, o coração esquecendo de bater. Quis algo errado que me fizesse bem só por escapar do caminho óbvio de toda noite. Uma espera no fim do dia, sabe? Essa espera. Não a espera de uma vida toda sem saber o que buscar pra ser feliz. Só sair do dia igual pra ter uma noite diferente. E tornar esse diferente comum só porque é bom estar perto.
Todo o amor que eu sufoquei por excesso de razão agora grita, escapa, transborda. Estou só numa multidão de amores, assim como Dylan Thomas, assim como Maysa, assim como milhões de pessoas; assim como a multidão de amores está só, em si. Demonstro minha fragilidade, meu desamparo. Eu não procuro alguém pra pertencer e ter posse, só quero uma fonte segura de amor que não dependa das obrigações, das falas decoradas, dos scripts prontos. Eu sei que eu abri mão de várias oportunidades. Sei que fiz pouco caso do amor que me entregaram de maneira pura e gratuita, só porque eu achava que podia encontrar coisa melhor. Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida.
Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer "Me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal." E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem.
Eu não quero viver como se sobrevivesse a cada dia que passo sozinha. Não quero andar como se procurasse meu complemento em cada olhar vago. Eu acho que mereço mais que isso por tudo o que eu sei que posso fazer por alguém. E fico só esperando, na surpresa do dia que eu desencanar de esperar, um par de olhos que me faça ficar sem nenhuma palavra, nada além de dois olhos se enlaçando quatro. Nessa multidão de amores, sozinho é aquele que não espera. 

Um texto lindo da VerônicaH. que você pode encontrar aqui .

sábado, 9 de julho de 2011

Impossível x Possível.

Impossível,Possível,Difícil,Complicado,Chato,Tedioso, Mal humorado,Idiota,Amor,Sexo, Paixão,Confusão,Brigas,Chocolate,Cama,Beijo,Sono:
Depende de como vemos, antes era impossível, mas porque agora dizemos ser possível? - Era a mesma coisa, sempre foi.
Por acharmos ser possível vêm as dificuldades, tudo que é possível é real e tudo que é real é difícil – nada chega de bandeja-. Complicações! Por ser possível é real por ser real é difícil por ser difícil é complicado. Quando as coisas complicam ficam chatas, tediosas. Quando nos encontramos em situações assim a tendência é ficarmos logo mal humorados. Pessoas mal humoradas tendem a agirem como idiotas.
Amor! Era disso que queríamos tratar, mas sem querer acabamos fugindo do assunto.
Bem, quando para nós um amor deixa de ser impossível para ser possível, de uma hora para outra, termina acabando em sexo, então talvez não seja amor e sim paixão. Era exatamente disso que iríamos falar! Paixão – já que amor é complexo demais para ser tratado por mim-. Junto com uma paixão cheia de dificuldades, complicações e ações impulsivas vem logo as confusões e as brigas que para as mulheres, muitas vezes, tende a ser motivo para chocolate e muito drama. Depois dos nervos mais calmos – graças ao chocolate- vem aquela vontade de relaxar então... Cama,beijos de boa noite e um bom sono.
No dia seguinte ninguém ao lado e enfim... Vida! Voltando para rotina normal sem tantas aventuras e acreditando na impossibilidade das coisas. E com isso –inconscientemente- a espera que tudo aconteça novamente e que algo se torne possível, mas que dessa vez seja algo melhor. Que seja possível o amor para trazer a esse coração em espera a tão [im]possível felicidade.


Novo marcador: Textos de palavras. Basicamente eu vou listando todas as palavras que vem em minha cabeça e as escrevendo em ordem e depois é só fazer o texto – com as palavras também na ordem e com suas possíveis repetições-. O resultado é esse ai que vocês podem ver acima. O texto não sai com muito sentido, mas também não é tão sem pé nem cabeça.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ventos que levam

Ao acordar me deparei com a secretaria a piscar, sinal que havia uma mensagem para mim. Achei que fosse alguma cobrança ou sabe-se lá o quê, nada que merecesse minha atenção, até que ao por meu café em uma xícara vi que a voz me era familiar e com um susto percebi que a voz era do Miguel, um antigo namorado meu.

-Olá! Sinto sua falta em noites frias como aquela, lembra?Fico me perguntando porque você sumiu e está tão distante e fria, espero de você uma resposta sensata sobre seu sumiço repentino. Beijos!

“Por mais que seja difícil e doa, confunda e perturbe um pouco os seus sentidos eu ainda vivo. Talvez eu tenha morrido pra você, sumido, virado pó. Eu não virei pó, mas teu desprezo me fez ser levada ao vento, com toques leves eu fui parar em outro universo e ali me perdi, hoje nem sei bem se posso ser considerada um ser humano normal ou se já sou outro tipo de criatura. As coisas mudaram, eu fui forçada a ir para outra constelação. Onde eu estou não existe tanta luz, mas como qualquer ser eu tive que me adaptar. No começo até hesitei, achei que voltaria rapidamente para aquele conto de fadas- o nosso mundo-, mas não funcionou bem assim, quase que por questão de vida ou morte eu aprendi a viver em lugares frios, sem luz e nem sequer calor humano, me acostumei à solidão ao sofrimento e ao abandono. Agora não venha tentar concertar todo o seu erro, com pequenos reparos e pinceladas leves, nada será mais como antes.”

-Talvez seja melhor eu guardar a resposta para mim, quem sabe assim você continue sua vida e um dia veja onde errou.

Isso foi tudo o que consegui responder, mas se ele lembrar de tudo, será o suficiente para entender toda a história e até ler suas entrelinhas.