sábado, 16 de fevereiro de 2019

Azeitona, preta
O balanco no balanço do vestido
Da preta que corre
Na ladeira que escorre
O choro quente de um corpo vazio
O copo frio e o corpo quente
Corpo quente e frio.

Tragédia em Brumadinho

Brumadinho em lama chora
Sobre rastro de injustiça
Natureza clama vida
O poder que enfeitiça
Mariana caso impune
Um povo que só cobiça

Tantas vidas soterradas
Natureza empodrecida
A lama que tomou conta
Destruindo tanta vida
O povo então padece
Uma estrada dissolvida

Embriaguez poética

A poesia me veste, me despe e dissipa
Acalenta, acalma e alivia.
O medo que cega, que nutre e amordaça
Imobiliza, cala, transforma e mata!
O poema liberta e transforma
Alma aflita
Grita!
Ignora
A dor que vem e vai sem porquê
Sem ai!
O prazer unilateral do ser
O sentido único
Perspectiva de quem vê
De quem lê
De quem toca, você.

Desafetos cotidianos

Passos retos
Olhos longos
Peitos fartos
Sorriso aberto
Dia incerto
Riso incerto
Sonhos
Estranhezas
Miudezas
Mil loucuras
Curas
Fissuras
Dos rasgos
Rasos
Passos
Indanos
Beijos
Eternos
Afagos
Incertos
Desejos
Discretos

Perto!
Seu corpo no meu
Mas nunca fui eu
Em nenhum instante
Passante
Se foi
Me perdeu
Nem sei quando
Vou olhar pra trás
Vou te ver
Agradecer?
Porquê você?
E eu
Nus!
Despidos
Mas sempre tão vestidos
De armas
Armaduras
Ataduras
Amarras
Sem cura
Feridas
Caladas
Passadas
Das marcas
Que nunca mais vi
Falou por mim
Calei meu eu
Por um momento
Sozinha
Insana
Sacana
Tirana
Tirando tua blusa
Confusa
Intrusa
Num mundo que é teu
Sem mim.