segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Resenha Crítica Acadêmica: O Retorno do Jovem Príncipe



Livro: O Retorno do Jovem Príncipe
Autor: Alejandro Guillermo Roemmers
Editora: FONTANAR
Tradução: Paulo Afonso
Ano: 2011


À pedidos do próprio autor de "O pequeno príncipe" – clássico de Antoine de Saint-Exúpery– Alejandro Roemmers traz de volta à terra o príncipe mais universal entre histórias já escritas e trata da história do encontro de um viajante com o príncipe já adolescente. Saint-Exupéry pede, na última frase do pequeno príncipe que “escrevam-me depressa que ele voltou...” e Roemmers nos traz o relato do jovem príncipe na Patagônia, local onde Sant-Exupéry teve grande história. Um livro de ficção que relata a história onde um viajante encontra um adolescente desacordado na estrada e resolve ajuda-lo. No decorrer da história o viajante percebe que o adolescente na verdade é um príncipe muito familiar e embarca junto a ele numa viagem sobre o ser e a vida.

Com uma vertente leve e palavras otimistas Roemmers introduz a história e explica suas faltas em relação a obra que o inspirou. Todo livro é repleto de páginas estampadas de estrelas que fazem menção a frase final de sua introdução onde leva o leitor a, enquanto desfruta da leitura, deixar de lado toda solidão e lembrar que toda imensidão de estrelas lhe sorriem. A história separada em capítulos presenteia o leitor com frases evidenciadas que levam a reflexão sobre a vida. Toda história é narrada sobre a visão do autor em primeira pessoa.

Inicialmente o leitor é apresentado a viagem do autor pelas terras da Patagônia e o encontro inesperado com um jovem desacordado na estrada do deserto. O viajante hesita um pouco em oferecer-lhe ajuda, porém não se atreve a negá-la. No decorrer da viagem o autor nota que o que para ele era apenas um jovem misterioso é na verdade um príncipe muito familiar a todos. Na história é descrito o relato da primeira grande decepção do príncipe com a realidade quando a erva daninha de seu planeta conta-lhe os fatos que ele tanto ignorava tem-se então o contato do jovem com sentimentos negativos que fazem com que “as estrelas parem de sorrir”. Todo esse sentimento se passa quando o príncipe descobre que o Carneiro que seu amigo lhe deu, em sua primeira viagem a terra, não era real.

Em busca de esclarecimento o príncipe já em sua juventude conta as razões de sua volta em mais uma viagem a terra. A decepção por sentir-se enganado por seu amigo aviador (o qual conheceu em sua primeira viagem a terra) é um das razões de sua volta na busca por compreender os motivos pelo qual seu amigo o iludiu com o falso carneiro na caixa. À partir de toda história do jovem o viajante mostra ao príncipe a importância de alicerçar suas motivações em coisas duráveis e assumir responsabilidade pelos seus sentimentos e sua felicidade. Além disso questiona-o sobre suas razões em dar ouvidos a erva daninha e o deixa com o questionamento “Por que tantas vezes preferimos a pessoa que nos desilude àquela que nos oferece uma ilusão?”.

No percurso o viajante acaba por atropelar acidentalmente um cachorro e o dono do animal ao notar a imensa tristeza do jovem presenteia-o com um filhote batizado pelo príncipe de Asas. O jovem príncipe mostra através de seus atos a importância do sentir e surpreende o viajante. Daí em diante seguem em viagem o príncipe, Asas e o autor que segue com seus conselhos e percebe-se sem nenhuma pressa de chegar em seu destino. Ao pararem em um local para comer e dormir o jovem príncipe surpreende o viajante mais uma vez ao presentear uma família com Asas. No fim de tudo, o príncipe deixa o viajante ao chegarem em seu destino. O jovem se vai ao encontro da família de um mendigo que encontrou na estrada e tornou-se amigo depois um longo dia de conversa. Apesar de ir o jovem príncipe deixa o seu amigo com a forte impressão de que com palavras dele: “Era eu quem deveria viver no presente, deixando de me agarrar ao passado e futuro.”

Em todo momento o autor descreve as expressões do príncipe diante de suas afirmações. Ao dar-se conta de quem está com ele por essa viagem o viajante mostra-se empolgado em saber a realidade do, agora já adolescente, príncipe. A história é docemente narrada pelo autor. Em comparação ao livro de sua inspiração há uma grande perca das ilustrações e da serenidade do personagem principal. Quanto as ilustrações Roemmers, antes mesmo de iniciar o livro explica-se com sua falta de habilidade para o desenho. O retrato do príncipe apesar de diferente permanece fiel a sabedoria e leveza. Sem perder o encanto o personagem é apresentado diante das dúvidas e adversidades do início das descobertas de um adolescente. Roemmers não falha ao trazer no príncipe a característica de traduzir diversos ensinamentos em simples atitudes que resumem todas as palavras. Assim como em “O pequeno príncipe” O Retorno do jovem príncipe evoca o leitor a encontrar-se com o jovem príncipe que o habita.

O livro mantém o ar de clássico da obra no qual foi inspirado. Tem como público crianças, jovens, adultos e idosos. Ou seja, mantém a característica de linguagem universal que faz você refletir e reavaliar o cotidiano. Pessoas de qualquer idade e classe social será agraciada com tal leitura.

Alejandro Guillermo Roemmers, autor da obra, é um escritor argentino com diversas obras conhecidas. Com uma escrita caracteristicamente poética e toque sofisticado porém com uma linguagem sempre acessível a todo público. Bastante dedicado a poesia já participou de diversas premiações e congressos internacionais.




Resenha de autoria de Jennifer Amorim, Estudante do curso de Estatística da UFPE e poeta nas horas vagas.

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