sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Apagão de humanidade.

Fim de um dia qualquer, mais uma noite qualquer. O vento parece dormir no ritmo da cidade que no momento está sem energia. Um silêncio sombrio. Quais mistérios essa noite nos guarda? O que acontece além desses nossos olhos tão limitados ao ‘nosso mundo’. São tantos timbres, cores e raças, tal diversidade que se expande e não ensina nada, não nos leva a nada. Somos todos tão humanos que nem sabemos das coisas mais sublimes que acontecem bem de baixo de nossas narinas. Nessa noite tento entender como é que conseguimos viver bem diante de tanta maldade. Só de pensar que agora tem pessoas dormindo em ruas, sem ter o que comer nem vestir me dá uma sensação tão ruim, eu me enojo disso, me envergonho. Mas não dessas pobres pessoas que não tem do que viver e sim dessas pessoas repletas de poder que não querem enxergar o verdadeiro e desigual mundo em que vivemos. Enoja-me saber que essas pessoas que tem mais do que precisam não enxergam nada além de si e saem por ai se exibindo em seu carro importado novo que vai pôr na sua coleção. O mundo grita por nós, nos pede socorro a todo instante e tapamos nossos ouvidos para não escutarmos esse clamor. Somos, assim, mais um desses que só querem estar ali sem serem incomodados com problemas alheios... Nós humanos somos vermes, ratos que vivem a beira de um esgoto, mas ainda encontram maneiras para tirar algum proveito disso sem precisar se esforçar para manter o local mais adequado para a vivência. Acostumamos-nos a viver na imundície em meio à corrupção, maldade e pobreza. Achamos que isso é normal e que deve ser assim sempre. Adaptamo-nos a isso, nos acomodamos a essa vida que de algum modo começa a nos incomodar.

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